Qual seu estilo na educação do seus filhos?
Os estilos familiares pela disciplina positiva
Atualizado: Fev 5
Existem na literatura diversas classificações de estilos parentais e familiares. Classificações que se baseiam no comportamento, nas interações e relações estabelecidas no ciclo familiar.
Para a disciplina positiva existem 4 formas principais de estilos familiares baseadas na relação entre firmeza e gentileza (os dois pressupostos básicos da disciplina positiva).
Famílias com índices de firmeza e gentileza muito baixo são as famílias do tipo negligente. Nesse estilo familiar a interação entre membros (e principalmente com os filhos) é hiposuficiente. Não há regras nem limites, não há diálogo, nem momentos de lazer constantes...
As famílias com perfil negligente crescem a cada dia na sociedade atual onde as tecnologias recebem atenção primária e os filhos acabam sendo educados por terceiros ou pelas mídias (jogos, desenhos e internet).
Famílias com o estilo negligente podem desenvolver nas crianças a apatia ou a impulsividade, baixa tolerância a frustrações e problemas psicológicos graves devido à falta de afeto e ao (possível) excesso de telas. A alta irritabilidade, baixa auto-estima e o excesso de birras também é comum, uma vez que, nesse contexto, para não serem irritados, os pais tendem a ceder às exigências dos filhos.
Famílias com alto índice de firmeza e baixo índice de gentileza configuram o tipo autoritário. O perfil de família mais comum da geração passada (adultos acima de 30 anos). Nesse estilo, as crianças são consideradas submissas num sistema hierárquico que fundamenta-se no exercício do autoritarismo. As regras e limites são bem estabelecidos, os sermões são constantes e as punições e recompensas se configuram como resultado final do processo educativo. Nesses lares, o alto nível de severidade e punições constantes podem desenvolver crianças e adolescentes rebeldes e com senso de vingança, ou ainda, crianças que acreditam que só são aceitas quando se comportam mal, uma vez que é assim que recebem real atenção de seus pais. No outro extremo, o excesso de cobranças e punições podem fazer com que as crianças sintam que não conseguem suprir as exigências paternas/maternas e desenvolvem um sentimento de impotência e incapacidade.
As crianças provenientes de famílias do tipo autoritária podem ter baixa autoestima, serem agressivas e reativas, impacientes, introspectivas, obstinadas ao perfeccionismo, transgressoras e manipuladoras com tendência a depressão e transtornos de humor.
Nas famílias que priorizam a gentileza e o excesso de cuidado e proteção em detrimento da firmeza e o estabelecimento de limites, refletem o tipo permissivo. Histórico-culturalmente, os adultos que cresceram em lares autoritários tendem a exercer o estilo permissivo quando se tornam pais, numa tentativa de anular o sofrimento vivido por elas durante a juventude, alegando não querer o mesmo para seus filhos. Acontece que as famílias permissivas terminam por desenvolver um comportamento superprotetivo que impede o desenvolvimento da autonomia e o senso de responsabilidade na criança. O excesso de carinho e bajulação, concomitante à ausência de regras e limites, pode ser extremamente danoso para o desenvolvimento de habilidades de vida.
Crianças, jovens e adultos provenientes de famílias com estilo permissivo podem ser arrogantes, irresponsáveis, sem empatia, desrespeitosos, dramáticos, egoístas e com baixa resiliência.
Por fim, o tipo democrático corresponde às famílias que, de forma consciente ou inconsciente, aplicam os pressupostos da disciplina positiva, atuando com firmeza e gentileza ao mesmo tempo. Nesse estilo, o respeito mútuo entre os integrantes da família é fundamental. As regras existem e são estabelecidas em comum acordo. Não existem punições ou recompensas, apenas consequências naturais e lógicas ao mal comportamento. As emoções são expressas e reorientadas ou direcionadas para uma boa educação emocional. O desenvolvimento natural e esperado da criança é respeitado.
Crianças que se desenvolvem num lar democrático desenvolvem habilidades de vida necessárias ao bom exercício da cidadania, atuando na sociedade de modo efetivo e positivo, com responsabilidade, respeito, empatia e amor próprio.
É importante ressaltar que os pontos aqui discutidos e as habilidades de vida desenvolvidas para cada família não são regras. Quando se trata de seres humanos e interações entre sistemas, tudo é complexo, subjetivo e instável.
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REFERÊNCIAS:
NELSEN, Jane. Disciplina Positiva. 3ª edição. Editora Manole. 2015.
NELSEN, Jane; ERWIN, Cheryl; DUFFY, Roslyn Ann. Disciplina Positiva para crianças de 0 a 3 anos. Editora Manole. 2018.
WEBER, L.N.D.; PRADO, P.M.; VIEZZER, A.P.; BRANDENBURG, O.J. (2004) Identificação de estilos parentais: o ponto de vista dos pais e dos filhos. Psicologia: reflexão e crítica. 17(3): 323-331.




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